sexta-feira, 2 de julho de 2010

C'est La Vide


Resolvi começar o post de hoje desse jeito porque ultimamente a moda vem me dominando. E convenhamos que não há neste mundo país mais dominado pela moda do que notre "dulce France", como diria Charles Trenet.
A moda. Que bichinho mais cruel é essa moda. Ela nos faz amá-la e odiá-la com toda a nossa alma. Peguei-me confabulando comigo mesma enquanto saía do metrô hoje de tarde sobre como as coisas são. Não existe mesmo melhor metáfora para a vida do que uma passarela.
A passarela. A arena onde os humanos são os objetos e as roupas são os vivos, Onde não passamos de uma mera vitrine para que as cores dos tecidos dancem no ritmo da música de fundo; onde cobram a apatia e a indiferença em nossos rostos. Onde está a paixão? Onde está a matéria prima da criação? Dão-nos tarefas cada vez mais difíceis; andamos em saltos-agulha, penteados pesadíssimos e ainda assim é nossa missão manter o rosto... Indecifrável. Ou decifrável demais? Vazio, sem expressão.
É isso que querem de nós. A todo instante participamos de uma ditadura muito bem vestida, amigos. Os flashes, as críticas. A quebra do salto, o rasgo do vestido.
Os tropeços, os risos fora de hora. É disso que somos feitos. De carne, e não de pano. Precisamos abandonar essa ideia de que somos os coadjuvantes da vida. Nós não vivemos por nada nem ninguém -por mais incrível que pareça- que não seja nós mesmos.
Ame, adore , aquilo que o fizer amar. Aquilo que o fizer viver. A música não vai parar de tocar ao fundo, os suspiros de admiração e reprovação nunca, nunca vão desaparecer.


O que você tem a perder?

Nenhum comentário:

Postar um comentário