
Aquele pobre diabo. Aquele anjo. Aquele demônio. Aquele monstro, aquele homem.
Ele tremia na cadeira fria do corredor. Não havia mais nada a se dizer, nada a se pensar. Não que ele realmente conseguisse fazer qualquer uma das duas coisas. Os sonhos não vinham mais; nem sequer os pesadelos ousavam bater em sua porta. A falta de sono era o castigo mais cruel. Seus olhos pareciam saltar para fora das órbitas. Seus lábios estavam secos e frios. Iriam se partir; juntamente com sua coragem.
Fechou os olhos. Precisava de paz, de um momento de respiração. Uma golfada de ar profunda e justa que lhe adentrasse o pulmão. E aquele lugar. Aquele lugar tão pútrido e morto tinha cheiro de fim. Não pôde mais suportar toda a tensão, todo o medo. Pôs-se a chorar, sem pudor, uma vez na vida. A urina lhe desceu pelas pernas e eletricamente, eriçou os pêlos. O suor era frio demais e a tremedeira era impossivelmente controlável.
Os guardas chegaram, finalmente. Depois de anos e anos de eterna espera e loucura, eles o carregaram como um filhote assustado. Prenderam-no naquela tábua comprida e fria. Era exatamente assim que ele achava que seria. Os cintos, os médicos. A pergunta. Tantas perguntas.
“Dê-me Canto Della Terra” Ele pediu, desistente, “Eu sempre quis a minha própria trilha sonora”
Assentiram. Realizando o único pedido daquele pobre diabo. Aquele anjo. Aquele demônio. Aquele monstro, aquele homem.
As perguntas.
Deus queira que elas sejam sanadas.
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