
Eles estavam reunidos. Os dois rapazes já de uma idade considerável, mas não reprimível. Sentavam-se em qualquer lugar em que fosse legal de sentar. Sorriam. Riam na verdade. Riam de alguma coisa que nem eles sabiam direito o que era. Não era engraçado. Até que pararam.
Ficaram encarando os carros que passavam na frente da calçada em que escolheram como cadeira. Um deles tirou um pedaço de papel do bolso. Uma cartinha amassada, sem nome, sem nada de especial.
Estava tão dobrada que foi uma tarefa realmente árdua abri-la novamente. A letra comum. Uma letra bem típica de quem fez caligrafia.
“Mas enfim, foi isso” Um dos rapazes disse.
“Bem, já era previsível.” O outro acrescentou.
“É” A graça havia se esvaído. Mas que poderia ter sido feito? Em realidade ela nunca esteve realmente ali. E a carta tinha um cheiro muito forte. Um cheiro enjoativo e doce demais. Um cheiro quase repulsivo de tão miseravelmente doce. Ele viu que estava afastando a carta de perto de si involuntariamente em função do mal estar que começava a surgir... “Mas que cheiro insuportável!” Disse o rapaz,
“Qual é o problema das pessoas que fazem esses perfumes?”
A carta já havia sido lida. Não existiam mais motivos para continuar a guardá-la. Amassou-a e jogou no bueiro. Arrependeu-se; porque durante o ato viu que no rodapé da carta estava uma frase esquecida. Deveria pegá-la novamente? “Mas que inferno!” pensava.
“Elas nunca sabem quando as coisas são sérias, amigo”
“Sim. É um tipo de paranóia”
Desistiu. Foi até a boca de lobo e apanhou a carta antes desprezada.
...
Era tudo feito minuciosamente para deixá-lo irritado, oras!
Ele se levantou sem nem ao menos despedir-se do amigo. Nunca sentiu o próprio corpo tão pesado. Limpou a calça e foi andando. Para onde? Não sabia. Mas era tudo indiferentemente ridículo no fim. Oh, tão indiferente.
“E o perfume? Aquele da Mahogani? Ele fede a doçura.”
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