
Ela acordou na mesma hora que sempre acorda. Não sabia por que, mas durante as manhãs, ela se achava mais bonita. Talvez pela brancura de sua pele ficar mais evidenciada nas luzes do banheiro por seus olhos estarem ainda sonolentos. Não sabia, simplesmente achava.
Ela lavou o rosto, como um costume que estava começando a adquirir. Parecia saudável, então tudo bem. Ela penteou o cabelo e sentiu que como não havia maneiras de deixá-lo mais aceitável, deixou-o solto em desistência.
A maquiagem já não era o bastante para cobrir as marcas em sua pele desnutrida. Nada mais funcionava para fazê-la mais parecida com aquela ex-mulher do Marilyn Manson. Aquela, lindíssima, sabe?
Não mudou de roupa porque não achou necessário. Iria ficar em casa de qualquer maneira. Tomou aquele café nem um pouco original. Sentou-se no sofá que realmente precisava ser trocado e pegou um caderno um pouco desmanchado que ela havia usado já fazia anos. Começou a escrever.
Nada parecia sincero ou claro o bastante. Já havia tantas rasuras e nada que valesse a pena. Que chateação! Por que, agora, justo agora em que os sentimentos vinham vindo como fantasmas, ela não conseguia escrever nada? Por quê? Cansou-se.
Ligou a televisão. Friends. Chega de Friends.
Pegou o caderno novamente. Apesar dos problemas, ela não queria mais saber nem de norma culta, nem de gramática, nem de limpeza ou qualquer uma dessas porcarias. Porcarias. Essas coisas inventadas pelo homem sem propósito nenhum: que nem o tempo. Ideologias. Passar do tempo. O tempo nem existe de verdade.
Você não fica mais velho. Você está apenas vivendo e aprendendo. O que acontece com o seu corpo é só um ciclo que as pessoas fazem tanta questão de importunar. A caneta está na sua mão. Uma frase: Você disse apenas o que queria ter dito, então, não se importe. Ela não iria se importar.
Então, não perca seu tempo. E ela continuou, impiedosa. Viva a sua vida seguindo as crenças que quiser. É a melhor coisa. É exatamente isso que eu vou fazer.
E ela vai fazer. Ah, ela vai sim.
“Você tem problemas? Talvez você tenha. Mas não me diga que você tem problemas.”
“Oh, and then you see if you could understand. You see if you could understand…”
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